Arquivo paranovembro, 2008

that’s me

Eu não me dou ao luxo de amar,
não vale a pena se não for recíproco.
(Você se apaixonaria por mim?)
Dizem que meu coração é gelado,
parece que não sinto amor nem compaixão;
apenas fome, frio, sono… e desprezo.
Sinto desprezo por quase todos que conheci.
Rostos felizes por um novo par de sapatos
ou tristes pela falta de um.
São essas pessoas que não têm sentimentos.
Elas que são volúveis.
Eu sou apenas incompreensível.
Imprevisível.

Suicide Addicted

Tenho essa mania estranha de suicídio.

Todo dia eu me mato um pouquinho. Não me mato de fato porque só dá pra morrer uma vez, aí eu perderia o gostinho do suicídio pra sempre. Ou não. Mas me falta coragem. Coragem pra tudo.

Tenho vontade de morrer todos os dias. Mas cadê a bendita coragem de me jogar da janela, da ponte, na frente do caminhão… Me sobra medo. Medo de não morrer.

Travo batalhas épicas dentro de mim mesma. Mas não chego a lugar algum. Continuo com ódio e repulsa de quem eu sou. Odeio quem eu me tornei. Me mata notar que não consigo mudar.

Eu morro ao constatar que eu sempre quis ser outra pessoa, alguém muito diferente de mim, completamente diferente. Eu morro todos os dias ao passo que me torno quem não sou, e nunca serei

Eu choro todos os dias, esse choro seco, sem lágrimas nem soluços. Choro interno que arde e queima. Angústia que fere meu corpo e machuca minha alma. Que me mata mais e mais. E eu sofro e choro. Grito! Caio no chão, borro a maquiagem sem medo, enfio a cara no travesseiro e choro madrugada à dentro, molhando rosto, cabelo e roupa de cama. Eu choro sempre.

O que mais me dói é não ter um você, é não ter ninguém. Você não existe. É literalmente inexistente. E dói. Demais.

desgraça pouca é bobagem…

Eu queria ser um gênio, descobrir a cura pro câncer, ou inventar um teorema melhor que o de Báskara e o de Pitágoras juntos. Mas eu mal consigo resolver esses dois e de câncer eu só sei o nome.

Eu sou um fiasco para resolver problemas de lógica. Não me encaixo em nenhuma área de inteligência. Antes eu costumava pensar que tinha uma ótima capacidade lingüística. Cheguei a estar entre os melhores alunos de português, inglês, francês, redação etc. Mas depois de não passar no vestibular de letras tudo mudou. Acho que “emburreci”. Sou a pior aluna do curso de inglês, larguei o francês depois de não conseguir fazer uma prova, e mais recentemente, não consegui fazer a análise de uma peça teatral. Eu simplesmente não consigo mais me expressar, nem no papel, nem de forma verbal, nem corporal e nem mesmo por mímica! Eu não tenho assunto, não tenho mais opiniões. Sou uma pessoa chata que não sabe conversar.

Minhas notas nunca foram tão baixas, nem minha vida jamais pareceu tão chata e monótona.

Parece que eu nunca cheguei a viver de verdade. Sendo só uma reprodução tosca do que se passa imediatamente ao meu redor. E mesmo sabendo disso e desejando fazer mil coisas: EU NÃO CONSIGO. Me sinto mais do que impotente. Me sinto burra! Obtusa! Idiota!

 

 

 

- Vou sair.

- A festa foi cancelada.

- Vou pra balada.

- Vá sozinha.

- Nãããão!

 

 

Eu grito comigo mesma, me irrito com a falta de independência. Neste exato momento eu me odeio. E não, eu realmente não sei me expressar, isso não mostra nem metade da minha indignição!

 

MORRA!

 

Quanto tempo vai passar até que eu finalmente descubra o que eu quero?

Quanto tempo ficarei ziguezagueando por aí até que eu me sinta plenamente contente?

Quanto tempo eu vou levar para me tornar realmente independente?

Quanto tempo mais eu ficarei aqui parada enquanto o meu mundo desaba sobre a minha cabeça?

Quantas vezes mais eu vou chorar de raiva de mim mesma e do mundo todo?

Quanto ódio de mim mesma eu terei que nutrir para me matar?

 

Quanto tempo eu vou durar?

Losing my sight

Burn the sun

Losing my mind

Burn the light

Wish somebody would tell me I’m fine               

Take take take take take take it away

Nothing’s alright                                               

Take my hand

Nothings fine

Take my life

I’m running and I’m crying

Take take take take take take it away

I can’t go on living this way

(Last Resort – Papa Roach & Take It Away – The Used)

Que seja sempre sol

Que seja sempre luz

Que mesmo estando só…

            …Não seja solidão

 

 

 

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