Tenho essa mania estranha de suicídio.
Todo dia eu me mato um pouquinho. Não me mato de fato porque só dá pra morrer uma vez, aí eu perderia o gostinho do suicídio pra sempre. Ou não. Mas me falta coragem. Coragem pra tudo.
Tenho vontade de morrer todos os dias. Mas cadê a bendita coragem de me jogar da janela, da ponte, na frente do caminhão… Me sobra medo. Medo de não morrer.
Travo batalhas épicas dentro de mim mesma. Mas não chego a lugar algum. Continuo com ódio e repulsa de quem eu sou. Odeio quem eu me tornei. Me mata notar que não consigo mudar.
Eu morro ao constatar que eu sempre quis ser outra pessoa, alguém muito diferente de mim, completamente diferente. Eu morro todos os dias ao passo que me torno quem não sou, e nunca serei…
Eu choro todos os dias, esse choro seco, sem lágrimas nem soluços. Choro interno que arde e queima. Angústia que fere meu corpo e machuca minha alma. Que me mata mais e mais. E eu sofro e choro. Grito! Caio no chão, borro a maquiagem sem medo, enfio a cara no travesseiro e choro madrugada à dentro, molhando rosto, cabelo e roupa de cama. Eu choro sempre.
O que mais me dói é não ter um você, é não ter ninguém. Você não existe. É literalmente inexistente. E dói. Demais.